25% dos brasileiros ignoram prevenção do câncer
Redação

Uma pesquisa feita com 6,5 mil brasileiros mostrou que 27% deles não sabem que o risco de câncer pode ser reduzido. O levantamento indica que a falta de informação atrapalha a adoção de hábitos saudáveis e a cobrança por políticas públicas de prevenção.
Para 2026, estão previstos 781 mil novos casos da doença no país. A nutricionista Evelyn Santos, gerente da Umane, associação que realizou o estudo com a Vital Strategies, defende ações mais rigorosas. "É preciso exigir o combate ao uso e à venda de cigarros eletrônicos, atenção para o desenho urbano e garantia de ambientes livres de ultraprocessados", afirmou.
A pesquisa teve apoio do Instituto Devive e do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Entre os fatores de risco mais conhecidos pela população está o fumo, reconhecido por nove em cada dez pessoas.
Lições do passado
Segundo Evelyn Santos, o principal aprendizado com as campanhas antitabagistas é encurtar o tempo entre a descoberta científica e a aplicação de políticas públicas. "Os primeiros grandes estudos ligando o cigarro ao câncer foram publicados em 1950. Quantas vidas perdemos até vencermos o lobby da indústria?", questionou.
Ela defende que, para fatores como sedentarismo e má alimentação, a ciência precisa virar política pública com mais rapidez. "Não podemos esperar mais de 50 anos para proteger a saúde da população", completou.
Como cobrar ações
A especialista sugere que a cobrança por investimentos em prevenção deve ser prática, local e intersetorial. Isso inclui exigir a fiscalização de regras já existentes, como a venda de cigarros eletrônicos nos municípios.
Outro ponto é o desenho urbano. A população pode cobrar dos governos locais a criação de espaços seguros e iluminados para incentivar a atividade física. Na alimentação, a pressão deve ser por ambientes livres de ultraprocessados, especialmente em escolas e eventos públicos.
Por fim, Evelyn Santos destaca a importância de políticas integradas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Saúde na Escola (PSE). "Eles mostram que a prevenção não se faz apenas em hospitais, mas na construção de ambientes urbanos e sociais mais saudáveis", concluiu.