3 minutos de atividade física reduzem risco de 12 cânceres
Redação

Um estudo publicado na revista BMC Medicine indica que pequenas mudanças na rotina diária podem reduzir em até 7% o risco de desenvolver 12 tipos de câncer. A pesquisa, lançada em julho, analisou a relação entre os padrões de movimento e a incidência de tumores.
Segundo os pesquisadores, trocar 15 minutos de sono ou de comportamento sedentário por 15 minutos de movimento, como subir escadas ou caminhar, já é suficiente para diminuir as chances de adoecimento. Ficar 30 minutos em pé em vez de deitado também apresentou efeito semelhante.
Os tipos de câncer associados à proteção foram os de bexiga, cólon, endométrio, estômago, cabeça e pescoço, rim, fígado, pulmão, reto, mieloma, adenocarcinoma esofágico e leucemia mieloide.
Como o estudo foi feito
Foram avaliadas quase 60 mil pessoas do Reino Unido, com média de 61,7 anos, cadastradas no UK Biobank. Os voluntários foram acompanhados por oito anos, período em que 2,8 mil deles (4% do total) desenvolveram algum tipo de tumor.
Os participantes passavam, em média, 7 horas e 39 minutos dormindo, 11 horas e 13 minutos em comportamento sedentário, 4 horas e 17 minutos em pé e apenas 51 minutos em movimento por dia. Aqueles que desenvolveram câncer acumularam menos tempo em movimento e em pé.
Quem trocou 15 minutos de sono ou sedentarismo por 15 minutos de movimento teve redução de risco de cerca de 2%. O resultado foi semelhante ao de quem trocou o sofá por 30 minutos a mais em pé. Atividades moderadas a vigorosas, como caminhada rápida, corrida ou ciclismo, protegeram mais do que outras substituições.
Entre os mais ativos, o acréscimo de apenas três minutos diários de atividades vigorosas já foi associado a uma queda mensurável no risco. O exercício leve também ajuda, mas exige mais de 90 minutos por dia para produzir o mesmo efeito.
Atividade física e prevenção
Estima-se que 4 em cada 10 casos de câncer sejam preveníveis por meio de fatores de risco modificáveis, e o sedentarismo é um deles. O corpo parado sofre com alterações nos níveis hormonais e acumula gordura corporal, o que pode favorecer a mutação celular.
O oncologista Paulo Bergerot, da Oncoclínicas, explica que a atividade física melhora a regulação de inflamação crônica, hormônios como insulina e estrogênio, composição corporal, função imune e metabolismo. Estudos anteriores já apontavam reduções de 8% a 25% nas chances de tumores entre praticantes regulares de exercício.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada, ou 75 minutos de atividade vigorosa. A pesquisa, porém, mostra que benefícios aparecem mesmo entre quem não atinge esses valores.
“Qualquer movimento é melhor que nenhum”, afirma Bergerot. “Precisamos adotar uma visão de 24 horas: ao longo do dia, devemos nos mover mais, sentar menos e incluir intensidade quando possível.”