4 mudanças na rotina elevam cognição de idosos em 55%
Redação

Um estudo publicado na revista The Lancet mostrou que quatro mudanças na rotina podem melhorar em 55% a cognição de idosos com risco de demência. A pesquisa, chamada LatAm-FINGERS, foi apresentada na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, em Londres.
Os cientistas acompanharam mais de 1,7 mil voluntários entre 60 e 77 anos em 12 países da América Latina, incluindo o Brasil. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles seguiu um programa intensivo de dois anos com acompanhamento de perto. O outro recebeu apenas orientações básicas.
O grupo que recebeu a intervenção completa teve 38 encontros com a equipe de saúde, 26 ligações telefônicas de reforço e avaliações médicas a cada seis meses. As estratégias usadas foram divididas em quatro pilares.
O primeiro pilar foi o exercício físico. Os idosos fizeram atividades quatro vezes por semana, com 35 minutos de aeróbicos, como caminhada rápida, e 15 minutos de musculação duas vezes por semana. Também incluíram 15 minutos de treino de coordenação e equilíbrio.
O segundo pilar foi a alimentação. O cardápio seguiu a dieta MIND, que combina elementos das dietas Mediterrânea e DASH. Ela prioriza frutas, vegetais, grãos integrais e laticínios magros para reduzir a pressão arterial. Os voluntários tiveram duas consultas anuais com nutricionista e preencheram diários alimentares.
O terceiro pilar foi o treinamento cognitivo. A mente foi desafiada em quatro sessões semanais de 25 minutos com jogos de computador na plataforma BrainHQ. Os exercícios estimulavam memória, atenção e raciocínio.
O quarto pilar foi o gerenciamento do risco cardiovascular. A pressão arterial, o peso, a glicose e o colesterol foram monitorados a cada seis meses. A socialização durante os encontros também foi considerada um benefício extra.
O médico neurologista Wyllians Borelli, coordenador de pesquisa do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento, explicou que os resultados na América Latina foram maiores do que em outros lugares. Segundo ele, isso ocorre porque a região tem mais fatores de risco descontrolados, como pressão alta, diabetes e colesterol alto.
A pesquisa já havia sido feita na Finlândia, nos EUA e no Japão, mas esta foi a primeira vez que o teste foi realizado na América Latina. Quase dois terços das pessoas com demência vivem em países de baixa e média renda.