Anvisa aprova remédio renal para o coração
Redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da finerenona para o tratamento de insuficiência cardíaca com fração de ejeção levemente reduzida. O medicamento, vendido sob o nome comercial Firialta, já era indicado para doença renal crônica associada ao diabetes tipo 2.
De acordo com especialistas, a substância se diferencia de outros remédios da mesma classe por sua alta precisão, evitando efeitos colaterais comuns, como o aumento das mamas em homens. Estudos recentes mostraram que a finerenona também pode proteger o coração.
O estudo FINEARTS-HF acompanhou pacientes com insuficiência cardíaca por quase quatro anos. Os resultados indicaram que a medicação reduziu em 16% o risco de piora do quadro ou morte por causas cardiovasculares.
A finerenona age bloqueando o receptor mineralocorticoide, presente nos rins, no coração e nos vasos sanguíneos. Quando esse receptor fica hiperativado, pode estimular processos nocivos, como inflamação e fibrose, que enrijecem os tecidos. Ao bloquear esse mecanismo, a droga ajuda a frear esses efeitos.
Segundo o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), em pacientes com insuficiência cardíaca, o coração fica "duro" e tem dificuldade de relaxar entre um batimento e outro, causando sintomas como falta de ar e cansaço.
A indicação do remédio é para casos de fração de ejeção preservada ou levemente reduzida, ou seja, quando o percentual de sangue bombeado é de 40% ou mais. Para quadros mais graves, já existem outras opções de tratamento consagradas.
A médica Carolina Casadei, coordenadora do Projeto Insuficiência Cardíaca da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), explica que a aprovação atende a um subtipo de pacientes que sempre teve poucas opções de tratamento eficaz.
A liberação da Anvisa já havia ocorrido em mais de 90 países. A expectativa é que a medida amplie o acesso ao tratamento no Brasil e abra caminho para futuras discussões sobre a incorporação do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS).