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Cirurgia daCatarata

Brasil cria exame inovador para detectar Alzheimer precoce

Redação

Brasil cria exame inovador para detectar Alzheimer precoce

Pesquisadores brasileiros validaram um novo fármaco que pode ajudar a detectar a doença de Alzheimer mais cedo. O composto, chamado MK6240, se mostrou mais eficaz do que o medicamento padrão usado atualmente para identificar, em exames de tomografia, o acúmulo da proteína tau no cérebro.

A proteína tau está diretamente ligada à lesão e morte dos neurônios. Ela é considerada um dos principais biomarcadores da progressão do Alzheimer. O estudo foi coordenado por brasileiros que trabalham na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e os resultados foram publicados em maio na revista The Lancet.

O ensaio clínico contou com 682 participantes dos Estados Unidos e do Canadá. Entre pessoas saudáveis, de 50 a 89 anos, que já apresentavam acúmulo da proteína beta-amiloide, o MK6240 identificou emaranhados de tau em 15% dos casos. O fármaco atualmente mais utilizado, o flortaucipir, encontrou a proteína em apenas 6% dos participantes.

Entre indivíduos com a cognição já comprometida, o MK6240 permitiu observar o acúmulo em 28% dos casos. Já o flortaucipir facilitou a identificação em 16% dos participantes. Os resultados indicam que o novo radiofármaco pode identificar mais que o dobro de casos positivos para a proteína tau.

O neurologista Tharick Pascoal, líder do estudo, explicou que a doença de Alzheimer começa silenciosamente no cérebro muitos anos antes dos primeiros sintomas. Ele destacou que duas proteínas anormais se acumulam ao longo do processo: primeiro a beta-amiloide, que forma placas entre os neurônios, e depois a tau, que forma emaranhados dentro das células cerebrais.

Segundo Pascoal, a grande diferença entre as duas proteínas está no impacto clínico. A beta-amiloide pode permanecer no cérebro por décadas sem provocar sintomas. Já a proteína tau está diretamente ligada à lesão e morte dos neurônios, sendo o principal motor biológico do declínio cognitivo.

Os pesquisadores afirmam que a presença de tau detectada por exames de PET não significa que a demência aparecerá de forma imediata. No entanto, quando a tau já está presente em quantidade significativa ou disseminada por várias regiões do cérebro, a deterioração cognitiva nos anos seguintes é apenas uma questão de tempo.

Atualmente, ainda não existem medicamentos aprovados para uso clínico capazes de remover diretamente os emaranhados de tau do cérebro. Porém, diversos estudos clínicos em fases avançadas já estão em andamento testando terapias direcionadas especificamente a essa proteína.

Fora do contexto de pesquisa, o uso do tau PET é recomendado apenas para pessoas que já apresentam sintomas cognitivos. Para indivíduos com cognição normal, mesmo aqueles com maior risco genético para Alzheimer, o exame ainda não é indicado rotineiramente.