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Câncer: pacientes criam 1.000 obras de arte em SP

Redação

Câncer: pacientes criam 1.000 obras de arte em SP

O artista plástico Eduardo Valarelli passou por uma internação hospitalar traumática no início dos anos 1990. Na época, não se falava em humanização nos hospitais. Pessoas passavam horas gritando de dor e ficavam sujas por falta de higiene. Valarelli passou por isso e mudou sua forma de encarar a saúde e a arte. Dessa experiência, surgiu o projeto “Transformar Com Arte”.

A iniciativa leva tintas, pincéis, telas e outros materiais para corredores e leitos de hospitais na cidade de São Paulo. Em ação há três décadas, o projeto já atingiu milhares de pacientes em instituições como o Hospital Emílio Ribas, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus.

Atualmente, o A.C.Camargo Cancer Center é a mais recente morada do projeto. Em três anos, foram realizadas cerca de 1.800 aulas. Mais de 500 adultos com câncer foram impactados e incentivados a produzir 1.157 obras de arte. Dessa produção, 45 pinturas e esculturas foram selecionadas para a exposição “Força e Fluidez”, em exibição até agosto na Unidade Antônio Prudente, no bairro da Liberdade. A entrada é restrita a colaboradores, médicos, pacientes e acompanhantes. Qualquer pessoa pode contribuir com doações ou adquirir uma das obras expostas no site da instituição.

Para a psicóloga aposentada Talita Wolkoff, de 81 anos, a iniciativa foi essencial durante o tratamento para câncer colorretal. “Nós descobrimos possibilidades que nunca havíamos achado que tínhamos”, afirma. Talita, que antes acreditava não ter aptidão para a arte, expôs duas pinturas: “Selos visitantes no espaço do papel” e “O passeio da linha gravada”. As obras são paisagens de praias que trouxeram calma para lidar com o diagnóstico. Hoje, ela está livre da doença e segue pintando em casa.

Victor Piana, médico patologista e CEO do A.C.Camargo Cancer Center, ressalta que a arte é vital para melhorar a saúde mental e emocional dos pacientes oncológicos. Um estudo publicado na revista científica Frontiers mostra que cerca de 25% dos pacientes enfrentam depressão, enquanto até 45% apresentam níveis elevados de ansiedade.