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Canetas emagrecedoras contra vícios: o que diz a ciência

Redação

Canetas emagrecedoras contra vícios: o que diz a ciência

Estudos recentes indicam que as canetas emagrecedoras, medicamentos à base de análogos do GLP-1 como a semaglutida e a tirzepatida, podem ser eficazes no tratamento de dependências químicas. Já aprovadas para diabetes tipo 2, obesidade e apneia obstrutiva do sono, essas substâncias estão sendo investigadas para transtornos por uso de álcool e outras drogas.

Uma pesquisa publicada em março no The British Medical Journal (BMJ) estimou que o uso desses medicamentos está associado a uma redução de 14% no risco de dependência de álcool e outras drogas. O estudo analisou mais de 600 mil veteranos com diabetes tipo 2 nos Estados Unidos. Os resultados mostraram que os pacientes tratados com análogos do GLP-1 apresentaram menor risco de transtorno por uso de álcool (18%), cannabis (14%), cocaína (20%), nicotina (20%) e opioides (25%).

Entre os participantes que já tinham dependência química, foi observada uma queda de 39% no risco de overdose, 31% em atendimentos de emergência, 26% em hospitalizações e 50% na mortalidade. O epidemiologista Ziyad Al-Aly, coautor do estudo, afirmou que os medicamentos agem contra a fissura, o desejo intenso que leva ao consumo de substâncias.

O uso desses medicamentos para o transtorno por uso de álcool foi tema de uma palestra no Congresso sobre Cérebro, Comportamento e Emoções, realizado em junho em Porto Alegre. A psiquiatra Silvia Bassani Schuch Goi, do Centro de Pesquisas em Álcool e Drogas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, explicou que os análogos do GLP-1 atuam no sistema de recompensa do cérebro, reduzindo a liberação de dopamina estimulada pelo álcool.

Segundo a especialista, esses medicamentos agem no eixo intestino-cérebro, diminuindo a fissura e a impulsividade. Eles também têm ação anti-inflamatória, neuroprotetora e antioxidante, o que pode melhorar a plasticidade neural e reduzir a vulnerabilidade ao estresse. Apesar dos resultados promissores, mais estudos clínicos são necessários para comprovar a segurança e a eficácia dos análogos do GLP-1 no tratamento da dependência química.

Crise de medicamentos falsificados

Paralelamente ao avanço das pesquisas, a popularidade das canetas emagrecedoras gerou um problema de saúde pública. A circulação de versões falsificadas do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida, tem aumentado. As autoridades sanitárias alertam para os riscos do uso de produtos ilegais, que podem conter substâncias nocivas ou doses incorretas, colocando em risco a saúde dos consumidores.