Ciência revela o que a música faz no cérebro
Redação

Música ativa áreas do cérebro e libera neurotransmissores
O cérebro humano funciona como um dispositivo de musicoterapia, capaz de transformar música em saúde e bem-estar. A música ativa múltiplas áreas do cérebro, liberando neurotransmissores como dopamina, endorfina e serotonina.
A relação pode envolver desde o prazer imediato ao ouvir algo de que gostamos até processos neurofisiológicos complexos, que modulam emoções, reduzem estresse e ansiedade, aliviam dores e influenciam batimento cardíaco e respiração.
A pesquisadora sênior do Einstein, Eliseth Leão, explica que o efeito da música não se limita ao gosto individual. Determinadas estruturas musicais possuem potencial terapêutico independentemente da preferência pessoal. Uma pessoa pode não gostar de música erudita e ainda assim experimentar relaxamento ao ouvi-la.
Isso ocorre porque a música é composta por elementos objetivos processados pelo cérebro em milissegundos: ritmo, harmonia, tonalidade, timbre, intensidade e presença ou ausência de letra.
Como o cérebro interpreta cada estilo musical
A música é uma onda sonora que entra pelo sistema auditivo e é interpretada pelo cérebro. Esse processamento envolve sincronização entre estímulos externos e ondas cerebrais, fenômeno chamado de ressonância. Dependendo do tipo de som, diferentes padrões de ondas cerebrais são ativados, resultando na liberação de neurotransmissores específicos.
Estudos mostram que músicas em tonalidades maiores tendem a ser associadas à alegria, enquanto tonalidades menores evocam sentimentos introspectivos ou melancólicos. O cérebro reconhece essas características imediatamente, podendo induzir emoções novas ou reforçar estados já existentes.
Sons intensos e abruptos estimulam a liberação de adrenalina, preparando o corpo para situações de estresse, perigo ou excitação. Eles ativam a resposta de "lutar ou fugir", aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e o fluxo sanguíneo para músculos e cérebro. Já músicas de andamento lento, com frequências mais baixas e estruturas repetitivas, induzem estados de relaxamento, associados à liberação de endorfinas.
Benefícios para corpo e mente
Em estados profundos de relaxamento ou sono, há estímulo à liberação do hormônio do crescimento, essencial para a recuperação corporal. Músicas com letra ativam áreas ligadas à imaginação e linguagem, enquanto músicas instrumentais favorecem estados meditativos.
Em contextos hospitalares, intervenções musicais já demonstraram efeitos positivos sobre parâmetros fisiológicos, como frequência cardíaca, respiração, pressão arterial e tensão muscular. Há aplicações específicas na reabilitação de pacientes que tiveram AVC ou têm Parkinson. Músicas com ritmo binário auxiliam a marcha e coordenação motora.
A música atua como gatilho de memória emocional. Canções marcam períodos da vida, relacionamentos e experiências. Muitas pessoas recordam décadas inteiras a partir de músicas específicas, associadas a namoros, rupturas ou eventos marcantes. A música evoca sentimentos armazenados e permite que sejam revividos, elaborados e ressignificados.
Esse mecanismo explica por que, após uma separação amorosa, a pessoa pode ouvir repetidamente a música que marcou o relacionamento e, depois, escolher uma música alegre para mudar o estado de ânimo. Trata-se da modulação emocional pela música.
A música é uma experiência complexa que molda a estrutura e função cerebral. Ela faz bem quando ouvida como entretenimento, mas tem papel importante quando há outros objetivos, como reduzir o estresse, acalmar ou energizar. O essencial é desenvolver uma escuta consciente, percebendo por qual "porta" a música nos chega.