Cientistas brasileiros buscam regenerar córnea
Redação

Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) estão desenvolvendo uma terapia celular para tratar problemas na córnea e na retina. O objetivo do projeto, chamado Cell4Vision, é criar uma alternativa ao transplante de córnea e reduzir a fila de espera pelo procedimento no país.
Dados do Ministério da Saúde indicam que 33 mil brasileiros aguardam por um transplante de córnea. A demanda pelo procedimento aumentou depois da pandemia, quando muitos tratamentos foram adiados. A equipe do projeto é formada por engenheiros, especialistas em nanotecnologia e profissionais de saúde do Centro de Referência em Oftalmologia (Cerof) da UFG.
A farmacêutica e bioquímica Marize Valadares, professora da UFG que lidera o projeto, afirma que a ideia é gerar alternativas aos transplantes tradicionais. “Nosso objetivo é gerar alternativas aos transplantes tradicionais de córnea, criando curativos ou tratamentos biológicos personalizados e escaláveis”, disse.
Os cientistas trabalham com soluções para problemas em diferentes partes da córnea e da retina. Na superfície da córnea, as células epiteliais podem ser danificadas por acidentes, como queimaduras. Em laboratório, os pesquisadores retiram as células danificadas e cultivam novas células saudáveis em uma biomembrana, que funciona como um curativo aplicado ao olho do paciente.
Para lesões mais graves, que atingem a camada interna da córnea, onde ficam as células endoteliais, o projeto já conseguiu isolar e multiplicar essas células em laboratório. Valadares estima que uma única córnea doadora poderia gerar até 100 doses de tratamento. Na retina, o desafio é reproduzir as células epiteliais pigmentadas para tratar tecidos danificados.
O projeto ainda está em fase laboratorial e não foi testado em humanos. Os pesquisadores já dominam as técnicas de isolamento, cultivo e congelamento das células. Agora, iniciarão testes com uma bioimpressora 3D para definir quais biomembranas causam menor resposta inflamatória e maior taxa de sucesso. As biomembranas são feitas com polímeros sintéticos, fibrina ou colágeno.
A expectativa é consolidar os resultados da fase laboratorial em até dois anos. O projeto é financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.