Doença dos legionários: 3 mortes em Nova York
Redação

Um surto da doença dos legionários na cidade de Nova York já causou três mortes, informaram autoridades sanitárias locais neste final de semana. Relacionada a uma forma potencialmente grave de pneumonia bacteriana, a doença é pouco conhecida dos brasileiros, mas causa problemas recorrentes nos Estados Unidos. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estimam entre 10 mil a 15 mil casos graves por ano.
A realização da final da Copa do Mundo na região de Nova York, neste domingo (19), também despertou preocupação sobre os possíveis riscos para visitantes que estavam de passagem pela cidade.
O que é a doença dos legionários
A doença dos legionários é uma forma de pneumonia causada por bactérias do gênero Legionella, em particular a espécie Legionella pneumophila, associada a 90% dos casos conhecidos. O quadro também pode ser chamado de legionelose. Esse micróbio existe naturalmente na água e não costuma trazer riscos à saúde em condições normais.
No entanto, ele pode acabar se proliferando até atingir níveis perigosos em reservatórios de água aquecida, como caixas d’água, piscinas térmicas e torres de resfriamento de ares condicionados centrais de grandes edifícios. Em geral, a Legionella encontra um ambiente mais propício para se reproduzir na faixa entre 20 e 55 °C.
Apesar do nome curioso, a doença não tem nenhuma relação com a Roma Antiga. Ela foi identificada pela primeira vez em 1976 e recebeu a alcunha porque o surto que levou à descoberta do problema ocorreu em um hotel da Filadélfia onde acontecia uma convenção da Legião Americana, uma associação de veteranos de guerra. Na ocasião, 182 pessoas ficaram doentes e 29 morreram.
Como a doença se espalha
A grande maioria dos casos da doença dos legionários ocorre pela aspiração ou inalação de água contaminada, muitas vezes em partículas aerossolizadas contendo a bactéria. A transmissão de pessoa para pessoa é considerada rara. Os surtos estão mais relacionados à exposição ao mesmo ambiente contaminado, não ao contato interpessoal.
Não existe vacina para a Legionella. A principal forma de prevenir o problema é realizar a higienização e manutenção adequada dos reservatórios de água onde a bactéria pode se proliferar.
Embora o quadro costume trazer preocupação quando causa sintomas, grande parte das pessoas expostas à Legionella não desenvolve qualquer problema de saúde, o que tende a atrasar a identificação de focos que podem gerar surtos. Pessoas com comprometimento imunológico e histórico de problemas respiratórios e pulmonares têm mais chance de vivenciar um agravamento da doença.
Uma vez identificada a legionelose, o tratamento é feito com antibióticos e pode exigir suporte respiratório em ambiente hospitalar para os casos de comprometimento pulmonar mais grave.