Pular para o conteúdo
Cirurgia daCatarata

Ebola na RDC: 2.611 mortes em 3 meses

Redação

Ebola na RDC pode se tornar o maior surto da história, alerta OMS

O presidente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou que o atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) pode se tornar o maior já registrado no mundo. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 12, durante uma conferência de imprensa. Segundo ele, a epidemia já é a segunda maior em número de casos e está se espalhando mais rápido do que qualquer outra anterior.

Os números divulgados pela OMS mostram que, desde maio de 2026, o país acumula 4.449 casos e 2.611 mortes. Esse total já supera o surto que ocorreu na própria RDC entre 2018 e 2020, que registrou 3.481 casos e 2.299 óbitos. Para Adhanom, a doença pode ultrapassar também o maior surto da história, ocorrido na África Ocidental entre 2014 e 2016, que somou cerca de 28,6 mil casos e 11,3 mil mortes em dois anos.

O chefe da OMS disse que o vírus está se espalhando mais rápido do que as ações de combate. Ele afirmou que a entidade está "correndo atrás do prejuízo". A expectativa é que, se todas as medidas de resposta funcionarem em todas as regiões do país, o cenário do surto mude dentro de três meses.

Variante do vírus não tem vacina

Este é o 17º surto de ebola na RDC. Os casos começaram a ser registrados em 15 de maio, na província de Ituri. O que preocupa os cientistas é que a epidemia é causada pela espécie Bundibugyo, uma variante mais rara do ebolavírus. Diferente da cepa Zaire, responsável pelos grandes surtos anteriores, essa variante não tem vacinas aprovadas nem tratamentos antivirais específicos.

O infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que o controle da doença depende de medidas clássicas de saúde pública. Isso inclui identificar rapidamente os casos, isolar pacientes, rastrear contatos e fazer sepultamentos seguros. Muitas mortes ocorrem em comunidades isoladas, sem que as pessoas tenham sido identificadas como contato de alguém infectado.

Há também casos em áreas de conflito armado, o que dificulta o acesso de médicos e a segurança das equipes de saúde. A OMS afirma que a meta é elevar o acompanhamento de pessoas que tiveram contato com infectados para cerca de 95%. Atualmente, a taxa está abaixo de 80%. Outro desafio é a desconfiança da população em relação às autoridades de saúde internacionais.

O que é o ebola

A doença pelo vírus ebola é uma zoonose, ou seja, transmitida por animais. Ela foi identificada em 1976, em surtos no Sudão do Sul e na RDC, perto do Rio Ebola. A transmissão ocorre por contato com sangue, fluidos corporais ou tecidos de pessoas ou animais infectados. Também é possível se contaminar ao tocar superfícies contaminadas.

Os sintomas incluem febre, calafrios, dor de cabeça, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal, falta de apetite, dor de garganta e sangramentos. Em casos graves, pode haver manchas na pele, comprometimento do fígado e dos rins, além de hemorragias. Não existe cura específica para todas as variantes do vírus, mas há medidas para aliviar os sintomas enquanto o corpo se recupera.