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Cirurgia daCatarata

Escritora descobre bactéria rara e exalta SUS e saneamento

Redação

Escritora descobre bactéria rara e exalta SUS e saneamento

A escritora Luciana Annunziata relata sua experiência com a bactéria Mycobacterium avium (MAC), que causa infecções pulmonares crônicas, especialmente em pessoas com imunidade baixa. O que começou como uma gripe após uma viagem à Bahia se transformou em uma peregrinação de dez meses por exames até o diagnóstico.

Após uma broncoscopia no Hospital das Clínicas de São Paulo, a presença da MAC foi detectada nos pulmões. A vigilância sanitária da capital paulista agendou uma consulta de emergência em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Os sintomas iniciais incluíam febre e infecção respiratória, que voltavam após o término de antibióticos. Uma mancha marrom avermelhada expelida pela paciente foi enviada ao médico, que considerou a situação preocupante.

Na UBS, a escritora entendeu que a origem da contaminação, se na Bahia ou em São Paulo, não importava. As hipóteses diagnósticas incluíam pneumonia, tuberculose, a MAC e até câncer. O resultado da cultura dos micro-organismos saiu três meses após a broncoscopia. O tratamento foi iniciado no Instituto Clemente Ferreira, construído na década de 1950 para tratar tuberculose. A MAC, estudada durante a epidemia de Aids nos anos 1980, exige antibióticos diferentes da tuberculose e o tratamento é administrado exclusivamente pelo SUS.

A médica perguntou se a paciente era soropositiva, se bebia e se exercitava. Ao final, recebeu os remédios e passou por três enfermeiras que explicaram o tratamento repetidamente. A justificativa foi que a paciente não era um caso típico de MAC, normalmente associado a pessoas vulneráveis, alcoolistas ou moradores de rua. O tratamento incluiu três antibióticos e dois antialérgicos para urticária, totalizando nove comprimidos por dia em cinco horários, por 12 a 18 meses.

A tomografia final foi inconclusiva, pois a MAC pode deixar cicatrizes no pulmão. Após um ano de tratamento, a escritora faz outro tratamento para se recuperar dos efeitos adversos, como perda de cabelo e hipersensibilidade alimentar. Em uma consulta, o médico explicou que a incidência da bactéria tem aumentado, possivelmente devido à falta de saneamento básico, disseminação na água da cidade e uso de antibióticos errados que fortaleceram a MAC.

Reflexões sobre o tratamento

A escritora descobriu que precisa limpar os encanamentos de casa, mas talvez isso não resolva. Ela percebeu que as superbactérias são uma realidade concreta, podendo se beneficiar da crise climática e de um sistema de saneamento duvidoso. A experiência a fez valorizar o SUS e o instituto de especialidade, onde conviveu com pessoas em vulnerabilidade social. No último dia no Clemente Ferreira, fez fotos dos corredores e da árvore sibipiruna do jardim, que também tem brotamentos, mas como sinal de saúde.