Fiocruz cria vacinas contra doenças tropicais
Redação

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão desenvolvendo vacinas contra duas doenças tropicais negligenciadas: a esquistossomose e a leishmaniose. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,6 bilhão de pessoas que vivem em zonas tropicais contraem doenças para as quais não há controle eficaz.
A vacina contra a esquistossomose, chamada Sm14, combate o verme Schistosoma mansoni, principal causador da doença na América Latina e na África. Os testes clínicos da fórmula, que está sendo testada no continente africano, confirmaram segurança e indicaram resposta imunológica.
Em paralelo, outra vacina da Fiocruz, ainda em fase pré-clínica, busca prevenir a leishmaniose. "Nesse caso, o desafio reside no fato de que a doença é causada por vários protozoários", explica Alda Maria da Cruz, infectologista da instituição. "Estamos apostando no uso de RNA mensageiro, tecnologia da vacina da covid-19", revela a cientista.
A esquistossomose é transmitida em água doce por vermes do gênero Schistosoma. Os sintomas incluem coceira, febre, calafrios, dor de cabeça, fraqueza, diarreia e náuseas. O tratamento com o antiparasitário praziquantel elimina vermes adultos e é oferecido pelo SUS. No Brasil, 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas sob risco, sem saneamento básico.
A leishmaniose é transmitida pela picada do mosquito-palha, que dissemina protozoários do gênero Leishmania. Os sintomas incluem úlceras na pele e mucosas, e em casos graves, feridas em órgãos internos. Medicamentos para controle são fornecidos na rede pública. O Brasil concentra cerca de 90% dos casos nas Américas, com 12 mil vítimas anuais.