Guia alimentar para quem usa Ozempic e Mounjaro
Redação

Um novo consenso médico internacional, publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, estabeleceu as primeiras diretrizes mundiais para a alimentação de pessoas que usam medicamentos como Ozempic e Mounjaro. O documento foi assinado pela Associação Europeia para o Estudo da Obesidade (EASO), a Federação Europeia das Associações de Nutricionistas (EFAD) e a Coalizão Europeia de Pessoas que Vivem com Obesidade (ECPO).
O guia foi criado porque a redução brusca do apetite e o emagrecimento acelerado causados por esses remédios podem comprometer a ingestão de nutrientes e a massa muscular. As entidades alertam que os efeitos adversos gastrointestinais e as mudanças no comportamento alimentar criam riscos nutricionais, funcionais e psicológicos.
Segundo o consenso, a ingestão de calorias deve ser definida individualmente. Se o consumo ficar abaixo de 800 kcal por dia por um período prolongado, os médicos recomendam reduzir a dose do medicamento ou interromper o tratamento temporariamente.
Para as proteínas, a meta durante a fase de emagrecimento é consumir de 1 a 1,5 gramas por quilo de peso corporal ao dia. Na manutenção do peso, a recomendação cai para 0,8 a 1 grama por quilo. A ingestão diária não deve ficar abaixo de 60 gramas. O consumo precisa ser distribuído ao longo do dia, com 25 a 30 gramas em cada refeição principal.
A nutricionista Luna Azevedo, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, explica que a baixa ingestão de proteína pode resultar em perda de força e redução da taxa metabólica. “Quando há uma perda importante de peso, parte dessa perda pode ocorrer às custas da massa muscular. E isso é algo que queremos minimizar”, afirma.
O consenso recomenda priorizar proteínas magras, como frutos do mar, carnes vermelhas magras em pequenas quantidades, aves sem pele, ovos, laticínios desnatados e fontes vegetais como leguminosas e soja.
Em relação aos carboidratos, o documento não recomenda cortá-los, mas sim escolher versões complexas e ricas em fibras. A orientação é consumir vegetais em abundância, frutas inteiras, grãos integrais e leguminosas. As fibras são essenciais para evitar a constipação, um dos principais efeitos adversos desses medicamentos. A meta é ingerir pelo menos 25 gramas de fibras por dia.
A suplementação proteica, como uso de whey protein, só deve ser considerada quando a alimentação não for suficiente, conforme avaliação de um nutricionista.