IA mapeia peptídeos alergênicos em cosméticos
Redação

Pesquisadores da PUC-Rio usaram Inteligência Artificial Explicável para mapear peptídeos que podem causar alergia em cosméticos. O estudo, publicado no periódico American Chemical Society, busca ajudar a criar produtos mais seguros, principalmente para peles sensíveis. A pesquisa teve financiamento da Faperj.
Peptídeos são pequenas partes de proteínas. Em cosméticos, eles agem como mensageiros que se comunicam com as células da pele. O objetivo é estimular a produção de colágeno e elastina, substâncias que dão firmeza e elasticidade à pele. Com o envelhecimento, a produção dessas proteínas diminui, levando ao surgimento de rugas e flacidez.
O problema é que alguns peptídeos podem provocar reações alérgicas, como coceira, vermelhidão e ardência. A pesquisa da PUC-Rio se concentrou em identificar quais peptídeos são seguros e não causam essas reações. A ideia é oferecer uma alternativa a tratamentos tradicionais, como retinol e ácidos, que têm maior chance de causar alergias.
A Lei 15.183/2025 proíbe o uso de animais em testes de cosméticos no Brasil. Diante disso, a Inteligência Artificial Explicável surge como uma alternativa. Diferente da IA tradicional, ela permite entender como os resultados são gerados. Os pesquisadores conseguem identificar as sequências de peptídeos que podem causar alergias com mais transparência.
Os peptídeos não alérgenos podem ser usados em séruns, máscaras e cremes. Eles são indicados para peles com rosácea, área dos olhos e peles ultrassensíveis, sempre com acompanhamento profissional. A aplicação da pesquisa pode ir além dos cosméticos. No futuro, a ferramenta pode ajudar a evitar alergias alimentares e ter aplicação em imunoterapia e vacinas.
O que são peptídeos e como agem na pele
Os peptídeos são sequências de aminoácidos, como os tijolos que formam uma proteína. Eles funcionam como mensageiros que “conversam” com as células da pele. Ao entrar em contato com a pele, eles enviam sinais para que as células produzam mais colágeno e elastina. O colágeno dá firmeza, enquanto a elastina permite que a pele estique e volte ao normal.
Com o passar dos anos, a produção dessas proteínas diminui. Fatores como exposição solar, alimentação e poluição aceleram esse processo. A pele perde a capacidade de se recuperar, ficando mais flácida e com rugas. Os peptídeos ajudam a reverter esse quadro ao estimular as células a trabalharem de forma mais ativa.