Maratona segura: como chegar lá sem riscos
Redação

O número de corredores no Brasil cresceu e, com ele, o interesse por desafios maiores, como a maratona de 42 km. Segundo pesquisa da Olympikus, o país passou de 12 milhões de corredores em 2024 para 15 milhões em 2026. Esse aumento é puxado pelo público mais jovem, especialmente a geração Z, entre 25 e 29 anos.
Especialistas alertam que a maratona exige preparação cuidadosa. O risco de lesões e problemas de saúde aumenta quando o atleta pula etapas. Casos raros de morte durante a prova, geralmente ligados a problemas cardíacos prévios não diagnosticados, servem como alerta sobre a necessidade de respeito aos limites do corpo.
Para quem é sedentário, a recomendação é levar ao menos dois anos para chegar aos 42 km. O caminho inclui passar pelas provas de 5, 10 e 21 km. Depois de algumas meias maratonas, inicia-se um ciclo específico de preparação, que dura cerca de 16 semanas. Nesse período, o atleta corre de três a quatro dias por semana e faz exercícios de força em dois dias.
Antes de começar, é aconselhável fazer uma avaliação médica completa, que inclua check-up do coração e das articulações. Ter um treinador também é visto como obrigatório. O profissional ajuda a ajustar os treinos e a evitar que um desconforto vire lesão.
O respeito à planilha de treinos é considerado sagrado. O aumento de volume não deve passar de 5% a 10% por semana. A cada duas ou três semanas de progressão, uma semana de redução é necessária para o corpo se recuperar. Um salto abrupto de 10% a 30% no volume de um único treino já eleva o risco de lesão em até 64%, segundo o fisiologista Gerson Leite, da USP.
Durante a preparação, o atleta não chega a correr os 42 km. O treino mais longo do ciclo costuma ter entre 30 e 32 km. É nessa fase que ele aprende a diferença entre uma dor muscular esperada e um sinal de alerta. O cardiologista Filippo Savioli, da Unifesp, afirma que quem chega à prova sem esse autoconhecimento está improvisando em um momento em que improvisar pode custar caro.
Além do preparo físico, a maratona exige uma rede de apoio. Familiares, amigos e colegas de trabalho precisam entender os sacrifícios, como a necessidade de treinar aos sábados e evitar noitadas na sexta. O treinador Marcos Paulo Reis, da MPR Assessoria Esportiva, diz que quem não estiver disposto a fazer concessões vai sofrer muito, tanto no treino quanto na prova.