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Cirurgia daCatarata

Novos tratamentos trazem esperança ao câncer de bexiga

Redação

Novos tratamentos trazem esperança ao câncer de bexiga

O tratamento do câncer de bexiga passou por transformações significativas nos últimos anos. Depois de décadas com opções limitadas, a área se tornou uma das mais dinâmicas da oncologia. A doença atinge milhares de brasileiros todos os anos, principalmente tabagistas, e antes oferecia basicamente dois caminhos: cirurgia ou quimioterapia, com eficácias limitadas.

O câncer de bexiga tem duas apresentações principais. A forma "não músculo-invasiva" ocorre quando o tumor ainda não atingiu a camada muscular do órgão. Cerca de três em cada quatro casos são desse tipo. Já a forma "músculo-invasiva" é mais agressiva e apresenta maior risco de o câncer se espalhar para linfonodos, ossos e outros órgãos.

Para tumores não invasores, o tratamento inclui a ressecção endoscópica transuretral, que remove a lesão pela uretra sem incisões externas. Também são usadas aplicações intravesicais, com medicamentos administrados diretamente na bexiga por meio de um cateter. Desde 1976, utiliza-se a imunoterapia com o Bacilo de Calmette-Guérin (BCG), que estimula o sistema imunológico a destruir células tumorais.

Nos casos em que a doença já invadiu o músculo, o protocolo tradicional era quimioterapia à base de cisplatina antes da cistectomia radical, cirurgia que remove todo o órgão. Essa quimioterapia prévia pode reduzir ou eliminar o tumor em 22% a 42% dos casos e aumenta em média 5% a chance de sobrevida em cinco anos. Para pacientes bem selecionados, existe a terapia trimodal, que preserva a bexiga combinando ressecção com quimioterapia e radioterapia.

Novas terapias ampliam opções

A imunoterapia transformou o tratamento do câncer de bexiga. O medicamento durvalumabe foi aprovado para a forma músculo-invasiva e é usado antes e depois da cirurgia, junto à quimioterapia. Para pacientes que não podem fazer quimioterapia, tornou-se referência usar uma combinação de enfortumabe vedotina, da classe dos conjugados anticorpo-droga, com o imunoterápico pembrolizumabe. Em ambas as opções, entre 37% e 57% dos casos apresentam resposta patológica completa, com ausência de células malignas após a cirurgia.

Os conjugados anticorpo-droga funcionam como mísseis teleguiados. Um anticorpo reconhece a célula tumoral e entrega uma substância tóxica no local, poupando tecidos saudáveis. O enfortumabe vedotina, combinado ao pembrolizumabe como primeira linha na doença metastática, dobrou a sobrevida global em comparação à quimioterapia convencional. Outro exemplo, o sacituzumabe govitecan, mostrou resposta em quase um terço dos pacientes que já haviam falhado a múltiplos tratamentos.

A medicina de precisão também avança. O erdafitinibe é uma terapia-alvo indicada para tumores com alterações no gene FGFR3. Mesmo em pacientes com doença avançada, esse medicamento alcança resultados positivos. Protocolos adjuvantes com nivolumabe ou pembrolizumabe, aplicados após a cistectomia em pacientes de alto risco, praticamente dobraram o tempo livre de recidiva, um resultado impensável há cinco anos.