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Vício em games: tempo de tela não define dependência

Redação

Vício em games: tempo de tela não define dependência

Pesquisa realizada por cientistas da Unesp, em Bauru, mostrou que o tempo gasto em videogames, isoladamente, não é suficiente para caracterizar um quadro de dependência. O estudo, que avaliou 290 voluntários brasileiros, indica que fatores como impulsividade e comportamentos sociais também precisam ser considerados.

O Transtorno de Jogo é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema psiquiátrico. Pessoas com essa condição podem apresentar compulsão, dependência e variações de humor. A doença está descrita no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e na Classificação Internacional de Doenças (CID-10 e CID-11).

O levantamento foi feito com voluntários de 18 a 50 anos, com idade média de 25 anos. A maioria, 81,7%, era do sexo masculino. Eles responderam a questionários sobre dados pessoais e hábitos de jogo, além de passarem por testes para medir a impulsividade.

Os participantes relataram sessões de jogo que duravam de 12 minutos a 10 horas. Cerca de 63,1% disseram jogar todos os dias. O gênero de jogo preferido era o RPG, e o computador era a plataforma mais usada.

Para avaliar o risco de dependência, os pesquisadores usaram a Escala de Transtorno de Jogo pela Internet. A pontuação variava de 9 a 45. Quem marcou mais de 36 pontos foi considerado em risco.

Em um teste de impulsividade, os voluntários escolhiam entre recompensas imediatas menores ou maiores no futuro. As opções envolviam dinheiro ou tempo de jogo. Os resultados mostraram que as pessoas eram mais impulsivas quando a recompensa era tempo de jogo.

Essa impulsividade maior foi observada em quem jogava mais de 17 horas por semana. Alguns voluntários chegavam a jogar até 90 horas semanais. No entanto, os pesquisadores afirmam que o tempo de tela sozinho não explica o problema. É a combinação de tempo excessivo com alta impulsividade que indica um risco maior.

Quem jogava até cinco horas por semana tinha 17 vezes menos chance de desenvolver o transtorno, em comparação com quem jogava mais de 17 horas. O grupo que jogava entre 5 e 17 horas semanais teve 12 vezes menos chance.

O estudo não investigou a ocorrência do problema em crianças e adolescentes. O pesquisador Alexandre Cintra, porém, lembra que jovens têm menos autocontrole e podem ser mais vulneráveis.

Hábitos de jogo e perfil dos participantes

A pesquisa também mapeou o perfil dos jogadores. A maioria joga diariamente, e o computador é a plataforma mais usada. O gênero RPG foi o favorito entre os participantes. O tempo de cada sessão variou bastante, de 12 minutos a 10 horas.

Os voluntários responderam a perguntas sobre consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Esses dados foram usados para entender melhor os fatores associados ao comportamento de jogo. O estudo foi publicado na revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia.