A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou as ações de fiscalização nos últimos meses, resultando na suspensão, apreensão ou proibição de diversos medicamentos, fitoterápicos e suplementos no Brasil. Entre os casos estão remédios amplamente utilizados, como o paracetamol, e falsificações de produtos de alto valor, como o Mounjaro (tirzepatida).

Paracetamol com bolor – A Anvisa suspendeu a distribuição, a comercialização e o uso do lote 114053 do medicamento Paramol 750 mg. A proibição do analgésico e antitérmico ocorreu após a identificação de comprimidos com sujeiras e aparência sugestiva de contaminação por bolor. Clientes com embalagens do lote afetado devem interromper o uso e procurar orientação médica ou farmacêutica. Informações sobre ressarcimento podem ser obtidas no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da fabricante Belfar.

Mounjaro falso – A Anvisa determinou a apreensão de unidades falsificadas de Mounjaro (tirzepatida). A medida foi tomada após a fabricante Eli Lilly identificar no mercado um produto que se apresentava como original, mas não correspondia aos seus registros. O alerta envolve medicamentos com o lote D881474 e o número de série 302199651396. A agência orienta que o produto seja adquirido apenas em farmácias regularizadas, na embalagem original e com nota fiscal.

Farmácia de peptídeos – A Anvisa suspendeu todas as preparações produzidas pela farmácia de manipulação Dermo Ervas. A decisão foi tomada após a agência identificar a venda de produtos manipulados com fórmulas prontas e produzidas em escala, prática que não está de acordo com as regras para esse tipo de estabelecimento. Entre os produtos divulgados pela empresa está o GHK-Cu, um peptídeo vendido na forma injetável que não possui aprovação para uso em humanos.

Colírios – A agência suspendeu a importação de medicamentos fabricados pela Excelvision, empresa francesa que produz colírios e géis oftálmicos. A medida foi tomada após um alerta sanitário internacional apontar problemas na unidade de fabricação. Foram suspensos os lotes dos colírios Hyabak e Thealiz Duo produzidos na unidade francesa a partir de 5 de junho deste ano. Os produtos são distribuídos no Brasil pela União Química.

Medicamento para o coração – Lotes de cloridrato de dobutamina, usado em emergências para insuficiência cardíaca aguda, tiveram o recolhimento determinado. O produto é fabricado pela Hypofarma e os lotes atingidos são os da versão de 12,5 mg/ml, com as numerações 25071640, 25071641, 24071684 e 24092132. Os produtos apresentaram alterações como resíduos, partículas flutuantes, formação de cristais e alteração de cor.

Remédios para hipertensão – A Anvisa suspendeu nove lotes do maleato de enalapril 20 mg, medicamento usado no tratamento da pressão alta. A medida atingiu os lotes 0062/26M, 0063/26M, 0064/26M, 0088/26M, 0089/26M, 0358/26M, 0415/26M, 0506/26M e 0507/26M, fabricados pela Hipolabor. Segundo a empresa, houve um erro de informação na embalagem secundária, que indicava equivocadamente a dose de 10 mg.

Tratamento de câncer – A Anvisa suspendeu a venda, a distribuição e o uso do lote 148386 do Halaven (mesilato de eribulina), medicamento utilizado no tratamento do câncer de mama. Segundo a fabricante United Medical, o lote apresentou desvio de qualidade relacionado à quantidade do princípio ativo, que estava abaixo da especificação aprovada.

Medicações para colesterol trocados – A Anvisa acompanhou o recolhimento voluntário de um lote dos medicamentos atorvastatina cálcica 40 mg e rosuvastatina cálcica 20 mg, produzidos pela Cimed. Houve suspeita de troca de embalagens: cartuchos de rosuvastatina 20 mg podem ter sido armazenados, por engano, no lote 2424299 da atorvastatina 40 mg. Como medida preventiva, os produtos desse lote foram recolhidos e o uso deve ser suspenso.

Juliana Moraes

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