Um novo guia elaborado pelo Instituto Vita Alere, especializado na promoção de saúde mental, traz orientações para pessoas que desejam abandonar o vício em apostas online. O material aborda desde a identificação do problema até a resolução de dívidas, ansiedade e depressão.
Dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) indicam que 11 milhões de brasileiros a partir dos 14 anos já apostaram e têm risco de desenvolver relação patológica com jogos de azar. Desses, 1,4 milhão já poderiam receber diagnóstico de transtorno do jogo.
Entre os sinais do transtorno estão agitação ou irritação ao tentar parar, angústia ao acessar plataformas, esforço sem sucesso para cessar as apostas e mentiras sobre a situação financeira. A psicóloga Karen Scavacini, fundadora do instituto, destaca que três a cada quatro pacientes apresentam também outros transtornos, como depressão, ansiedade e abuso de álcool.
O guia recomenda sete passos para superar o vício. O primeiro é realizar a autoexclusão em plataforma do governo federal, informando o CPF e escolhendo o período de bloqueio. O segundo passo é afastar gatilhos, como desinstalar aplicativos, deixar de seguir influenciadores que divulgam bets e pedir ajuda para mudar senhas bancárias.
A orientação seguinte é contar o problema para alguém de confiança. Caso não haja essa possibilidade, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende 24 horas pelo telefone 188. O quarto passo envolve buscar atendimento no SUS, em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou pelo aplicativo Meus SUS Digital, que oferece consultas por videochamada.
Na parte financeira, o guia orienta evitar novos empréstimos para pagar dívidas de jogo e procurar o Procon municipal ou Defensorias Públicas para renegociação. Grupos de apoio gratuitos, como os Jogadores Anônimos, estão disponíveis em todas as regiões do país. Por fim, recomenda-se manter rotina regular de sono, alimentação e atividade física, evitando álcool e outras drogas.

