O lutador brasileiro de MMA Allan Nascimento, conhecido como “Puro Osso”, morreu na segunda-feira, 3, aos 34 anos. Segundo o perfil oficial do UFC no Instagram, o atleta foi encontrado sem resposta após sofrer um “aparente ataque cardíaco enquanto dormia”. A equipe médica prestou atendimento, mas ele foi declarado morto no local.
O cardiologista Thiago Marinho, membro da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, afirma que é possível ter um infarto durante o sono e que isso não é raro. Estudos indicam que até 20% dos infartos podem ocorrer enquanto a pessoa dorme. As causas envolvem alterações hormonais e do sistema nervoso autônomo, que controla funções involuntárias do corpo. Essas mudanças podem provocar variações na pressão arterial, na frequência cardíaca e na coagulação sanguínea, favorecendo a ruptura de placas de aterosclerose nas artérias.
Distúrbios como a apneia do sono também aumentam o risco de problemas cardiovasculares durante a noite. A condição causa ronco e pausas na respiração, reduzindo o oxigênio no corpo. Isso ativa a adrenalina, eleva a pressão arterial e sobrecarrega o coração. Pacientes com apneia que têm quedas acentuadas de oxigênio durante a noite apresentam risco cerca de duas vezes maior de morte súbita.
O horário também influencia a saúde cardíaca. Na população em geral, os infartos são mais frequentes entre 6h e meio-dia, devido ao aumento natural de hormônios do estresse e à maior tendência de formação de coágulos. Já em pessoas com apneia, cerca de 27% dos infartos ocorrem entre meia-noite e 6h da manhã.
A causa da morte de Allan ainda não foi confirmada. Em jovens com rotina saudável, a morte súbita costuma estar ligada a condições pré-existentes, como doenças cardíacas hereditárias, anomalias nas artérias coronárias, inflamação do músculo cardíaco e cardiomiopatias. O uso de drogas ilícitas e esteroides anabolizantes também pode estar entre as causas, mas a confirmação depende de necropsia e avaliação clínica.
Os sintomas clássicos de infarto incluem dor ou pressão no peito, que pode irradiar para mandíbula, braço, ombro ou costas, além de falta de ar, suor intenso, náuseas e tontura. Porém, o infarto nem sempre se manifesta dessa forma. Algumas pessoas sentem apenas palpitações, cansaço intenso ou falta de ar. Em mulheres e diabéticos, o quadro pode ocorrer sem sintomas evidentes.

